A mulher que se abre para a vida …

Ana

No artigo “A minha criança interior quer despertar” abordei o quanto me rejeitei como mulher e o quanto achava que ser homem me facilitaria muito a vida … lutei toda a minha juventude e só há relativamente pouco tempo comecei a abraçar tudo o que sou como mulher … externamente a doçura e suavidade feminina , ao nível interno a coragem e sabedoria da guerreira do amor e da compaixão e mais secretamente a mulher selvagem e louca! E em todo esse desenrolar a menina-criança consciente começa a despertar , emergindo a sua alegria simples , a espontaneidade , o não julgamento , a bondade natural … mas nada inocente , não-ignorante , madura , completa , desperta. A dakini que confia na sua natureza mais profunda , não dualista , espaçosa , mas plena de amor puro!
E para que a mulher comece a estabelecer uma relação íntima consigo mesma e de forma consciente se ouça , se toque profundamente , precisa de espaço para si … espaço para se nutrir , se cuidar , para respirar fundo , para sentir conscientemente.
As mulheres interiorizaram que para vencerem na vida tinham de começar a masculinizarem-se na forma de pensar e de agir , a anularem o seu corpo , o sentir e a sua intuição porque era desta forma que conquistavam o seu espaço , em especial o profissional e material … mas todo esse espaço não inclui tempo para elas mesmas … não têm tempo para desfrutar , para respirar , para sentir e desta forma passa a ser um máquina de executar mil e uma tarefas para poder conciliar vários aspectos da sua vida (profissional , familiar , social). A mulher não tem tempo e , no pouco que tem , precisa de ser muito rápida.
Estas são as mulheres das dores de cabeça frequentes , das insónias , das dores crónicas no corpo , as que não conseguem desligar a cabeça , sentem um vazio imenso e a vida deixa de fazer sentido … E para preencher esse vazio ou essas falhas procura no exterior compensações – que se podem tornar hábitos – como a comida , a roupa , os sapatos , as drogas , os parceiros , a necessidade constante de atenção (em especial pelo sexo oposto). Podem tornar-se mulheres intolerantes , stressadas , inflexíveis , rígidas , super controladoras , muito organizadas e racionais. A cabeça começa a ser mais importante que o seu corpo e o seu coração. Começam a perder a sua intuição inata e de ouvir a voz interna da sua natureza sábia.
Chega o momento das mulheres tomarem consciência ; darem espaço para si mesmas e para se descobrirem ; recolherem-se no silêncio para meditar e entrar no seu mundo mais profundo ; refugiarem-se em retiros para despertar a sua relação e intimidade consigo próprias ; relaxarem os seus corpos ao dançar ou fazer movimentos conscientes , ao brincar , ao rir , ao cantar , ao escrever , ao dar cor à sua vida e ao embelezarem-se não para o outro a ver , mas para ela mesma se sentir viva e se reconhecer bela … até que começam de forma natural a abrirem os seus sentidos , a resgatar a sua sensualidade inata , a estarem completamente mindful ao sentir , ao seu interior … e com consciência poderem sentir um prazer cada vez mais puro e mais interno e assim transformarem os seus desejos e prazeres em felicidade-êxtase (ou bliss) … e esse êxtase ser a oportunidade para reconhecerem o seu amor puro mais interno que as preenche , as completa , que as faz sentirem-se em casa!
Os padrões estão muito enraizados , o caminho não é fácil … É preciso querer , agir … dar espaço na nossa agenda para dançar enquanto os nossos corpos esvoaçam como o vento ; recebermos uma massagem que nos faz vibrar toda a nossa energia interna ; respirar bem fundo para escutar a voz do coração ; imergir num banho quente e sentir que cada gota abre cada poro um a um ; ouvir o nosso corpo profundamente e nutri-lo , cuidá-lo , embelezá-lo ; soltar o nosso intimo mais selvagem com uma musica sensual e soltar um grito de leoa para nos expressarmos a todos os níveis … esse espaço vai permitir estarmos plenas para convidar alguém a entrar ou a sair ; a ir ajudar quem precisa ; a ensinar e a educar com tolerância ; a criar com alegria ; a amar com presença ; a dar sem esperar em troca ; a ser mais bela , confiante e apaixonada … esse espaço permite que as nossas vidas se encham de mais e mais amor! E é assim que a mulher se abre à vida e a enche de cor!

 

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