A “pedra filosofal” do Tog Chod

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Depois de ter sido bombardeada com questões sobre o Curso de Artes Marciais para Tog Chod do próximo dia 13 Dezembro , pedi que Igna , o convidado especial que vai orientar este curso , escrevesse algo sobre o assunto … Pois , pensei , nada melhor que o próprio especialista falar sobre o que tão bem sabe e domina.
Confesso que não só fiquei ainda mais entusiasmada com o que vou aprender no curso , mas em especial senti o quanto ainda me falta para tirar total partido da poderosa prática de Tog Chod , não só como professora e formadora , mas também e em especial como praticante.
Mas depois do que li e traduzi posso dizer-vos que este curso vai ser a “pedra filosofal” da minha prática de Tog Chod … e não só minha , mas a de todos os participantes. Prometo que vou beber até à última gota o que Igna tem para nos ensinar da sua vasta sabedoria de 40 anos de experiência.
Leiam atentamente e sintam o que Igna nos quer transmitir … É mesmo a “pedra filosofal” do Tog Chod!
Ainda há algumas vagas … Professores de Tog Chod , praticantes entusiasmados de Tog Chod , mas também professores/praticantes de outras artes marciais … porque oportunidades como estas são muito raras nas nossas vidas!

De que forma o conhecimento em artes marciais ajuda a prática de Tog Chöd? por Igna Tius

O Tog Chöd foi desenvolvido como uma forma de “cortar” as nossas emoções negativas, tais como os medos do passado e as expectativas do futuro. A prática física do Tog Chöd abre os canais e a concentração nos movimentos e na respiração traz-nos ao momento presente e faz-nos “esquecer” sobre o passado e o futuro. Os medos e as expectativas (assim como a raiva, o apego e outras) são emoções criadas pela nossa mente e podem ser vistas como os chamados demónios. Estes demónios, como os medos e as expectativas, determinam o nosso comportamento diário e bloqueiam o fluxo de energia. Pela prática de Tog Chöd e pela visualização destes demónios fora de nós, podemos “cortar” ou “defendermo-nos” destes demónios e libertar a nossa mente. Mas se tomarmos consciência que os nossos demónios internos fazem parte da nossa própria energia, então, para tornar a prática de Tog Chöd mais eficaz, faz sentido aprender a canalizar e dar uma direcção correcta a esta energia interna.
Aplicar conhecimentos profundos de artes marciais ajudar-nos-á a compreender e sentir o nosso fluxo de energia interno e, pelo uso de movimentos do corpo de uma forma natural, permitir-nos-á ajudar a nossa energia a fluir. Também ajudar-nos-á a sermos capazes de conectar-nos com o nosso centro de energia ou Chi interno. E vice-versa também é um facto, ao sentir a energia a fluir de forma livre ajudar-nos-á a mover o corpo de forma natural e traz lógica, fluidez e redução de esforço ao movimento. Para o Tog Chöd usamos uma espada, por isso é também muito importante saber a razão por detrás da forma e desenho da espada e sobre a maneira como a espada “se quer mover” naturalmente. E uma “arma” nas nossas mãos será apenas efectiva quando for uma extensão do nosso corpo. Isto significa que a espada não é um objecto solto, mas necessita de ser parte integrante do nosso corpo e precisa de ser conectada com a nossa energia canalizada. Ao aplicar conhecimentos de artes marciais ajudar-nos-á a experienciar exactamente essa sensação. Como já mencionado, os nossos demónios internos são criados pela própria mente e fazem parte da nossa energia. Assim, estes só podem ser “cortados” por essa mesma energia interna. Mas infelizmente as emoções que queremos “cortar” são também as que impedem o fluxo interno de energia e os movimentos fluidos. Por isso, sentir esta energia interna ajudar-nos-á para praticar o seu fluxo e para encontrar os nossos movimentos naturais que podem ser diferentes de pessoa para pessoa. Isto combinado com a fluidez natural da espada também ajudar-nos-á a eliminar o incorrecto uso da força muscular e ajudar-nos-á a eliminar as tensões bloqueadoras, o que permitirá os movimentos serem fluidos e efectivos. Esta eficácia de se poder usar a espada e a energia, dará um registo profundo sustentável ao corpo e uma experiência de se ter realmente cortado o passado e o futuro à mente, alongando a nossa capacidade de ficar no momento presente e sentirmo-nos simplesmente bem.
Depois de prática intensiva de movimentos naturais com a energia a fluir, os nossos canais abrir-se-ão e a mente acalmar-se-á. E nesse momento encontramos boas condições para meditar. E também boas condições para usar os nossos sentidos de uma forma que não sabíamos que seria possível… uma forma natural e quase sem esforço (e sim, vamos experimentar isto)… Apesar das fotografias darem uma outra ideia, não se irá praticar movimentos bonitos de artes marciais ou pontapés altos. Não se irá ensinar nenhuma forma ou sequencia. Mas mergulharemos no mundo dos movimentos naturais do nosso corpo e do fluxo da nossa energia. Ao estarmos aptos a usar os nossos movimentos naturais e abrir o fluxo de energia, a pratica de Tog Chöd tornar-se-á consideravelmente mais eficaz e mais benéfica, o que nos permite libertar a nossa mente.

Evento : Curso de Princípios Avançados de Artes Marciais para Tog Chod
Data : 13 Dezembro, domingo
Hora : 10:00 às 13:00 & 14:30 às 17:30
Preço : 60€
Inscrições : ana@anataboada.com
Nota : Haverá tradução para português.

Alguns tópicos do curso:
– Libertação das principais articulações para as artes marciais. Também especifico para se usar a espada e para se prevenir lesões no pulso e ombro…
– Estiramento de certos músculos também para facilitar a preparação para as formas de Tog Chod e especificamente para o uso da espada.
– Familiarização com o corpo e a espada (como nos conectar com a espada, como encontrar o ponto de equilíbrio da espada, como fazer do corpo uma extensão da espada, como conectar o centro energético do corpo com a espada, etc). (Esta ultima parte requer primeiro introdução de como mover o corpo e como encontrar o nosso próprio centro de energia.)
– Equilíbrio do corpo para quando se usa espada (quando ainda é efectivo e quando não se está conectado).
– Compreender e prática do uso da espada e as diferenças entre cortar, esfaquear, bloquear, desviar, preparar… Isto faz o praticante estar plenamente atento e consciente do que está realmente a fazer com a espada.
– Como encontrar a fluidez com a espada e não usar a força do corpo.
– Como usar os movimentos do corpo para deixar que a espada se mova naturalmente. E também como seguir a espada com o corpo.
– Treino e prática da mão e braço esquerdos para equilibrar as energias, elementos e emoções. Também muito importante para se compreender e analisar o próprio corpo e mente (controlo de movimento de corpo/mente).

O que pode ser feito depois do curso:
– Estar conectado com a própria espada e sentir-se forte e, mais importante, sentir-se a espada naturalmente conectada com o corpo e o centro de energia.
– Estar plenamente atento e consciente a cada movimento que se faz durante a forma (no curso irá se visualizar os nossos demónios e usar a melhor ação da espada) que fará com que a prática da forma seja mais efectiva e o resultado mais profundo e fortalecido. (atenção: não se ensinará a forma de Tog Chöd porque não é o objectivo deste curso)
– Estar-se apto a fazer todos os movimentos como um fluxo natural do corpo, proporcionando prazer e bem estar durante a pratica.
– Estar-se apto a criar formas livres de forma fácil.
– Aprender a fazer um bom aquecimento para a boa prática de Tog Chöd.

Mais sobre Igna Tius:

Com mais de 45 anos de prática e experiência, Igna começou com Artes Marciais, Judo, ainda com 6 anos de idade e conseguiu o seu primeiro cinturão negro infantil com 12 anos. Mas isto só se tornou oficial apenas aos 16 anos quando lhe foi permitido participar em competições. Neste período também começou a aprender diversos outros estilos como (estilos diferentes de) Karate e Taekwondo.

Na sua juventude e até aos trinta, expandiu o seu conhecimento de Artes Marciais e praticou Tang Soo Do, Wing Chung, Muay Thai Kickboxing e alguns outros estilos entre os quais também Kobudo (armas) e, inspirado por Bruce Lee, gostou de praticar com o Nunchaka. Contudo, foi sempre surpreendido com a luta de egos entre os mestres de diferentes estilos, porque sempre proclamavam serem o melhor estilo. Como muito frequentemente usava as partes mais eficientes de cada diferente estilo, foi desqualificado muitas vezes em competição porque usava técnicas de um estilo diferente não permitidas, apesar de serem muito eficientes.

A partir dos trinta anos, depois de muitos anos de artes marciais muito físicas, continuou a aprofundar o seu conhecimento em Aikido e Ju-Jitsu para desarmar o oponente. Neste período encontrou um novo estilo de Kushido, que era o primeiro estilo a dizer-lhe para não se esquecer de todos os outros estilos e, uma vez certificado para o fazer, trazê-los para os seus ensinamentos. Também aprendeu que as competições não eram lógicas porque quando se trata de sobrevivência nunca se sabe o que um oponente irá fazer. Ele também experienciou por si mesmo ao treinar com equipas lutadoras internacionais e Olímpicas, que eram muito limitadas pelas regras e regulamentos do seu estilo em particular. Enquanto que ser versátil e adaptativo, e sair da mente num estado relaxado era o mais importante. Também Kushido era o primeiro estilo que usava os pontos vitais do corpo não apenas para lesar o oponente, mas também usava estes pontos vitais para curar pessoas.

Neste período começou a expandir a sua prática e conhecimento no uso de armas convencionais como o boken (espada de madeira), o bo (pau longo de madeira), o Sai (punhal redondo metálico) e alguns mais como nunchaka e a faca normal.

Entretanto foi graduado como cinturão negro (ou graduação mais elevada) em diferentes estilos e começou a ver que todos os estilos tinham aspectos comuns muito importantes. Na verdade a base de todos era a mesma. E também começou a aprofundar conhecimento em Filosofia de Artes Marciais e o mundo oculto atrás das artes marciais físicas, o fluxo e uso da energia e praticou, desde então, este mundo oculto de fazer fluir a energia .

A partir dos quarenta, quando já tinha sido professor de artes marciais por muitos anos, decidiu combinar todos os estilos num não-estilo. Apenas usar a eficiência ou partes úteis e de forma que fossem usadas no dia-a-dia. Também se especializou em auto defesa e em particular contra ataques com faca (e até contra o uso próximo de pistolas). E desenvolveu muitas técnicas novas de defesa para ataques não convencionais para preparar os seus alunos para o cada vez maior numero de agressões diárias e ataques com faca nas ruas. Também aprendeu mais sobre o uso de pontos vitais com Ryukyu Kempo ou Kyo Jitsu e Dim Mak e combinou todo o conhecimento em algo que fosse adaptado para cada individuo com as suas próprias qualidades.

Na ultima década continuou a estudar alguns outros estilos e praticou mais e mais estilos mais suaves usados para a saúde e bem-estar, como o Chi Gong e Tai Chi, ao usar o conhecimento e experiencia dos fluxos de energia interna e externa no nosso corpo. Hoje em dia usa esta experiência para aprofundar práticas que, ao usar o corpo como veículo, procuram encontrar a sabedoria interna do amor.

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