A Meditação Analítica

 

A pergunta desperta a nossa natureza...

 

Caros amigos e amigas,

 

Todas as semanas na aula de meditação, antes da prática propriamente dita, eu e os meus alunos tentamos discutir um tema específico. Apesar de ter consciência que ainda não tenho a sabedoria de um grande mestre, reconheço que tenho grandes mestres que me guiam, me ensinam e, acima de tudo, me ajudam a descobrir a minha própria sabedoria. Estas sessões, não são mais que uma humilde partilha da minha experiência pessoal e da minha visão da realidade.

 

Cada vez que nos damos a oportunidade para reflectirmos, estudarmos e contemplarmos determinado assunto, estamos a fazer meditação analítica. E esta não é mais que uma forma de nos recordarmos de tudo aquilo que já sabemos, mas não nos lembramos! 🙂

 

Assim, a meditação analítica é uma forma de meditação, que canaliza a nossa concentração para a análise de problemas específicos, solúveis ou não, somente com a razão. Isto passa pela compreensão conceptual de como funciona a realidade e qual a sua natureza.

 

Após a reflexão, estudo e contemplação pode-se despertar um nível de pensamento conceptual muito mais subtil e potente, daquele que possuímos no dia a dia.

 

Para adquirirmos uma correcta visão da realidade, precisamos primeiro de identificar as nossas concepções erradas. É neste sentido que a meditação analítica depende de ouvir, ler e receber os ensinamentos do Dharma.

 

Outra forma de meditação analítica põe em foco a análise de certas perguntas existenciais. O mestre Tulku Lobsang no seu livro “As 108 questões da sabedoria sagrada do Tibete” diz o seguinte: “Se souberes como fazer uma pergunta, então saberás tudo. Assim que souberes como perguntar, imediatamente terás a tua resposta. O mais difícil é perguntar a questão correcta. É porque não temos a pergunta correcta, que temos sempre a resposta errada. (…) A questão é como o espelho. Quando te olhas ao espelho, verás quem tu és. Antes de te veres ao espelho, já lá estavas.  (…) Na Tradição Tibetana, é nos dada uma questão e nós meditamos e meditamos nesta questão. Nós não tentamos pensar numa resposta; simplesmente pensamos nessa questão. Isto significa que saber a questão é já saber a resposta. (…) Perguntar uma questão é uma meditação analítica. É uma forma de investigarmos e descobrirmos aquilo que não entendemos. (…) Apenas pensa na questão ou medita na questão e esta levar-te-á a uma resposta, porque a natureza da questão é tornar-se na sua resposta. Assim, quando souberes a questão muito bem, automaticamente saberás a resposta.”

 

E agora coloco-vos um desafio… porque não meditam nesta questão: “Tens tempo para lavar o teu corpo; também tens tempo para lavar a tua mente?”

 

Seja qual for a vossa resposta, o mais importante é tentarem viver segundo essa resposta.

Todos nós temos as respostas dentro de nós… depois de as encontrarmos, basta vivermos segundo essa sabedoria inata.

 

Da mesma forma, os mestres e os ensinamentos do Dharma, servem apenas para nos recordar aquilo que já sabemos. Meditar analiticamente é o esforço de tentarmos recordar de tudo aquilo que já sabemos – da nossa sabedoria – pois é essa a nossa natureza.

 

Com toda a minha dedicação e entusiasmo,

Ana Taboada

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